A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser uma exigência do mercado, dos investidores e da sociedade. Mas, dentro das empresas, ainda existe um obstáculo silencioso que dificulta a consolidação dessa agenda: o gap entre a alta liderança e o time tático-operacional.
De nada adianta criar relatórios ESG sofisticados, adotar frameworks internacionais ou lançar campanhas de marketing verde se os executivos não compreendem o impacto da sustentabilidade — e se os colaboradores não se sentem parte do processo.
A falta de alinhamento entre liderança e operação compromete a sustentabilidade. Descubra como eliminar esse gap com linguagem estratégica e intencionalidade.
O problema real: o descompasso entre quem decide e quem executa
O gap entre liderança e operação é mais comum do que parece
Esse distanciamento se manifesta quando:
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A liderança trata a sustentabilidade como tema “técnico” ou “acessório”
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As equipes de base não entendem como suas ações impactam o todo
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A comunicação entre áreas é truncada, cheia de jargões e vazia de sentido prático
Esse gap não é resolvido com um “plug and play”, porque não se trata de ferramenta, mas de linguagem, intenção e cultura.
Comunicação é chave: fale a língua do negócio
Por que a linguagem ESG precisa ser traduzida?
A maioria dos CEOs e diretores não é especialista em GRI, TCFD ou SDGs. Quando apresentamos frameworks sem contextualizar, perdemos a atenção e o engajamento da liderança.
“Dica de ouro: não adianta querer falar com o CEO de framework. Ele vai perguntar: é sério?”
Em vez disso, leve à liderança informações como:
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Riscos financeiros associados à falta de práticas ESG
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Benefícios em reputação, atração de talentos e acesso a crédito
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Exemplos de concorrentes ou líderes de mercado que estão se destacando
Como adaptar sua comunicação
Use uma linguagem que conecte:
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Sustentabilidade = redução de riscos e custos
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ESG = estratégia de longo prazo
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Investimento social = reputação e marca empregadora
Mostre com clareza como cada decisão sustentável influencia diretamente o negócio.
Intencionalidade: sem vontade genuína, não há transformação
A alta liderança precisa querer ouvir
É preciso sair da superficialidade e criar espaços onde a liderança escute — de verdade — quem está na operação. Só assim será possível compreender como as práticas sustentáveis impactam o dia a dia da empresa.
Sem escuta ativa e intenção genuína, a sustentabilidade vira teatro corporativo.
Foco nos stakeholders certos
Nem todo stakeholder influencia de fato
No universo ESG, fala-se muito sobre stakeholders. Mas isso só gera resultado quando a empresa identifica e prioriza aqueles que realmente influenciam o negócio.
Pergunte-se:
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Quem afeta minha operação se deixar de apoiar?
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Quem pode acelerar ou bloquear minhas metas de sustentabilidade?
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Quem está diretamente ligado à minha reputação ou financiamento?
Foco é uma questão estratégica.
Sustentabilidade não é setor: é cultura
Não é de uma área, é de todos
Um erro comum é achar que sustentabilidade deve ser “resolvida” por um departamento específico. Mas o impacto só acontece quando ela é vivida como princípio organizacional.
A sustentabilidade precisa estar:
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Nas decisões da diretoria
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Nas metas dos gestores
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Nos processos operacionais
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Nos treinamentos e avaliações de desempenho
Sustentabilidade real é transversal. Está no DNA da empresa.
Caminhos práticos para líderes e gestores
Como reduzir o gap entre liderança e operação?
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Reveja sua linguagem: evite jargões técnicos sem contextualização
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Promova diálogos intencionais: crie momentos para escuta ativa entre níveis hierárquicos
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Traduza frameworks em impactos reais: fale de riscos, oportunidades e valor para o negócio
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Capacite a liderança: forme executivos que dominem o básico de ESG
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Integre a sustentabilidade ao planejamento estratégico: ela deve estar nas metas e KPIs da empresa
Sustentabilidade só acontece com conexão e clareza
Reduzir o gap entre a liderança e a operação é um dos maiores desafios das empresas que desejam se posicionar com seriedade no tema ESG. Mas é também uma grande oportunidade.
Ao investir em linguagem acessível, intencionalidade e foco, é possível transformar discursos em práticas e criar uma cultura de sustentabilidade forte, viva e eficaz.
Onara Lima atua há 21 anos em Gestão Ambiental e Sustentabilidade, durante esse período, trabalhou em empresas como Gerdau, Suzano, Grupo Ambipar e CCR. Empreendedora/Founder da marca ESG Advisory OnaraLima. Conselheira no Capitalismo Consciente Brasil. Membro do CBPS – Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade, Comissão ESG da ABRASCA, Membro do Comitê de Sustentabilidade da Verda.Global. Em suas palestras, Onara explora uma variedade de tópicos, desde a integração de práticas ESG até a construção de estratégias sustentáveis de longo prazo. Cada palestra é uma jornada educativa que visa não apenas informar, mas também inspirar mudanças positivas. Se você quer levar a mensagem da responsabilidade ambiental e social para a sua empresa, entre em contato por aqui e solicite um orçamento.